Aprendi a nadar na praia do rio, em Milfontes. Tinha 5 anos, mas lembro-me como se fosse hoje. O meu pai, como de costume, tinha posto o braço direito sob a minha barriga – era como as rodinhas da minha primeira bicicleta – e eu ia dando às pernas e aos braços com a segurança de quem tem alguém que nos segure e não nos deixa ir ao fundo. No entanto, passados uns minutos, pareceu-me que já a minha barriga nadava sozinha e resolvi olhar para trás. Lá estava o meu pai, já um pouco afastado, a fazer-me adeus com o mesmo braço com que habitualmente segurava a minha barriga. Escusado será dizer que me atrapalhei e a minha destreza foi – literal e imediatamente – por água abaixo.
Tenho pensado muito neste episódio, por duas razões: a primeira faz-me pensar sobre o meu papel como mãe e como professora, na medida em que, num determinado momento, damos a mão aos nossos filhos e aos nossos alunos para que, um dia, não precisem mais dela. Preparamo-los para nadarem sem braço sob a barriga. A segunda faz-me pensar sobre o facto de, às vezes, duvidarmos das nossas capacidades e de acharmos que vamos cair se a vida não trouxer as rodinhas atrás. Cairemos algumas vezes, é verdade, mas vencer o medo e confiarmos em nós é o mais importante da viagem.
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