– Bom dia

por Educar bem
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– Bom dia.
– Bom dia. Diga. Em que é que o posso ajudar?
– Olhe, eu queria trocar este sonho. Comprei-o há já algum tempo, mas nunca o usei. Pode ver: ainda está dentro da caixa, tal como o levei.
– Lamento, mas não trocamos sonhos.
– Não trocam sonhos? Mas este está novinho em folha, nem cheguei a pô-lo em prática.
– Compreendo, mas os sonhos são pessoais e intransmissíveis. É melhor guardá-lo, pode ser que ainda lhe venha a ser útil. Às vezes, há sonhos antigos que só conseguimos cumprir mais tarde.
– E para agora, tem algum sonho que me aconselhe? Um que funcione, não quero encher a casa de sonhos encaixotados. Veja lá, assim um sonho que tenha a ver comigo, que não me dê muito trabalho e que me deixe dormir à noite. Onde é que fica a secção dos sonhos a curto prazo?
– Parece-me que está a confundir sonhos com caprichos. Caprichos temos no último andar, mas já lhe digo que a qualidade não é a mesma. Um sonho concretizado nunca se esquece e dura uma vida inteira, já os caprichos só duram enquanto não se concretizam, depois são esquecidos a vida inteira.
– Então como é que faço? O seu colega, o que me vendeu este sonho, levou-me até ao terraço. Disse que era preciso ter a cabeça no ar.
– O meu colega era inexperiente, estava aqui há poucos dias e confundiu as indicações. O que tem de fazer para escolher um sonho é descalçar-se.
– Descalçar-me?
– Sim, claro. E depois acompanhe-me até ao jardim. Para escolher o sonho certo, tem de ter os pés bem assentes na terra.

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