Vivemos entre. Vivemos entre o início e o fim. Vivemos entre datas. Entre uma e outra, a nossa vida. Somos o nosso tempo. O nosso tempo é o nosso meio. Meio cheio ou meio vazio. Não interessa, no meio estará a virtude. Vivemos entre lugares. Entre cá e lá. Vivemos entre o que conhecemos e o que ignoramos. Entre o que desejamos e o que temos. Vivemos entre a regra e a transgressão. Entre o limite e a limitação. Entre a causa e a condição. Entre o amor e a razão. Entre a espada e a parede. Entre o riso e as lágrimas. Entre o grito e o que dizemos entredentes. Entre as nossas palavras e as que colocamos entre aspas. Hesitamos entre o ponto e a vírgula. Entre ficar à porta e entrar. Entre ficar e fazer as malas. Vivemos sempre entre uma coisa e outra. Entre a bigorna e o martelo. Escolhemos o mal menor. Ou então que venha o diabo e escolha.
Vivemos entre. Entre quatro paredes. Entre muros. Entre trincheiras. Entre guerras. Pensamos sempre que, entre mortos e feridos, somos aqueles que escapam. Esquecemo-nos de que a vida é uma corda de tempo suspensa entre duas margens. E nunca sabemos se a vida vai roer a corda a meio.
Vivemos entre. Vivamos entretanto.
Bom dia! 🌹
Texto de Elisabete Bárbara