Um dia, quando eu não estiver, tudo continuará como tiver de ser. Tal como agora, não haverá diferença. Se agora me sentes, continuarás a ter contigo a minha presença. Aprenderás apenas a lembrar-te e saberás que, como sempre, tenho razão: nada mais importa quando partilhamos o mesmo coração. Um dia, quando eu não estiver, tudo continuará o seu caminho. Serei eu o filho a deixar o ninho. Só isso. O ninho não é o voo, lembra-te disso, e podemos sempre encontrar-nos entre o que temos e o que nunca deixaremos de ter, nem precisamos de marcar as horas, o meio caminho é sempre pontual. Por isso, quando eu não estiver, não faz mal. E não me respondas, porque eu é que sei, e tudo continuará igual.
Texto de Elisabete Bárbara
ilustração de Amalia Restrep