Às mães, pelo tanto que nos dão e pela falta que nos fazem. Às mães, que nos dizem o que têm a dizer com a autoridade de um amor intransponível. Às mães, que nos amam sem fim desde o início. Às mães que amam e não sabem amar, às mães que gostariam de ter aprendido e de voltar atrás para recuperar o tempo perdido. Às mães que não são amadas, às mães que não são lembradas, às mães que ficam para trás quando o tempo avança. Às mães que são casa, às mães que só são visita ou só visitadas. Às mães que deram à luz e às mães que oferecem a luz, às mães que perderam os filhos, às mães que se perderam pelos filhos, às mães que passam a ferro, às mães com o coração enrodilhado, às mães com o coração nas mãos, às mães com as mãos vazias. Às mães, pelo tempo que foi, pelo tempo que fomos, pelo tempo em que não havia medo de não haver o beijo antes de dormir ou a recomendação antes de sair. Às mães.
Texto de Elisabete Bárbara
ilustração de Brian Kershisnik