Antes, eu sentava-me ao teu lado. Aqui. E o teu joelho tocava no meu quando a tua alegria se encostava a mim. Não importava que não soubéssemos pôr a mesa e que falássemos com a boca cheia. Nesse tempo, tudo estava certo. Nesse tempo, tínhamos todo o tempo do mundo para não saber o sítio das coisas. Tínhamos todo o tempo do mundo. Parabéns a você, nesta data querida. Todo o tempo do mundo mora na infância.
Hoje, já sei pôr a mesa. Sei exatamente o sítio dos copos e dos guardanapos e dos talheres. E se cá estivesses não te deixava pôr assim os cotovelos sobre a mesa. Mas não estás. Aprendi o sítio das coisas e tudo deixou de fazer sentido. O sentido que tinha o teu joelho no meu.
Eu continuo a sentar-me aqui. A tua cadeira está no mesmo sítio. Tu não estás. Mas é este o teu lugar.
Texto de Elisabete Bárbara