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Não irei ao Paço. Nunca. As minhas mãos são de dádiva, não de esmola. Não me curvo. Só baixo a cabeça para ver a folha em que escrevo. Guardem a tença. Não a quero. Não irei ao Paço. Façam-me o favor de perceber que não quero favores. O favor com que mais se acende o engenho não se paga. Não me vendo. Pagarei o preço de não ter preço. Levem-me tudo, que nunca nada me tirarão. Nenhuma dor é maior do que a minha pena. Os sinos dobrarão. A mim não.
Texto de Elisabete Bárbara
Ilustração de Almada Negreiros
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